Coisa de principiante. Gritou no silêncio do automóvel.
Mas a verdade é que tudo lhe parecia ser um princípio desde que fora informado da morte da tia. A tristeza, primeiro. Ela cuidara dele toda a infância. Depois a herança de uma quantia que ele nem conseguia imaginar que ela tivesse. Ele, que como repórter freelancer, vivia como um saltimbanco de país em país e tanto podia ganhar muito como passar maus bocados, quando não encontrava comprador para um reportagem. Ah, mas lá agarrado às regrinhas de um director de jornal não me apanharam!

Comprei uma casa. Um casa velha. Uma casa que tem ar de ser tão louca como a minha vida. Uma casa com segredos para contar. É desta vez que vou escrever um livro. Dizem que o dinheiro não é tudo. Pois não. Mas sem dinheiro, até a nossa loucura tem de ser limitada ou acabamos sedados, com visitas obrigatórias a hospitais de loucos.
A casa não devia estar longe. A estrada estreitara, a chuva dera lugar a um nevoeiro de mistério. Sentia que tinha razão. Achara o lugar certo para parar e escrever.
foto nº1 de oleg_kosirev
e nº2 de Alex_malaga