
A recta parecia interminável. Não gostava de rectas. Faziam-lhe sono e não tinha dormido o suficiente. Começou a pensar se não seria melhor regressar ao hotel e ter uns dias de verdadeiro descanso. Afinal estava de férias. Mas não gostava de torcer o destino. Acreditava nele. Nada lhe tinha corrido bem nas últimas 24 horas para quê insistir em ficar? Além de que aquela ida estava pensada há cerca de um ano. O desvario que tinha feito custara-lhe as poupanças de uma vida e mais uns trocados. Sorriu. Afinal nem sabia o que ia encontrar.
Se pelo menos houvesse um lugar qualquer onde parar para tomar café. Maldita recta. Bem, aquilo tinha de virar em qualquer lado. Sacudiu-se como um cão, a afastar o sono. Não lhe serviu de nada. Parou o carro na berma, abriu a porta e saiu para a chuva. À falta de outro estimulante, o frio da água a cair-lhe na cabeça teria quase o efeito de um duche, de madrugada, em dia de falta de gás.
E teve.
Retomou o caminho até distinguir na neblina criada pela chuva uma bomba de gasolina. Até que enfim! Algum calor a reconfortar o estomago e dois dedos de convesa fiada. Depois regressaria à estrada. Ainda estava longe e o dia prometia continuar cinzento.
foto de Julia Pluim
Linda a fotografia de entrada no blog.
ResponderEliminarEstou cheia de curiosidade
beijibhos
gostei! também a mim apanhar chuva desperta.
ResponderEliminarnoutras situações ajuda-me a acalmar os nervos.
vou voltar para a parte 2
abraço
luísa
Seguirei a sua viagem
ResponderEliminarSe não fosse a reta, que seria do círculo?
ResponderEliminarDe qualquer modo, já inventaram a garrafa térmica, outra comodidade do século; agora motoristas não têm mais o direito de dormir nas auto-estradas e atirar-se de encontro a árvores, animais ou outros motoristas da direção oposta. O que mais vão inventar!
Bons sonhos na viagem da volta.
Também volto aqui. A curiosidade só mata o gato.
ResponderEliminardella
Desculpem. Não sei comentar comentários. Só posso agradecer terem passado por aqui. Estou em fase experimental.
ResponderEliminarNão sou grande. Lamento. Por vocês. Obrigado.
Para cumprir a verdade da transcrição de Fernando Pessoa, teria de deixar em branco, este pequeno espaço.
ResponderEliminarE parece já disse tudo.
Abraço